Perguntas e respostas sobre as vacinas Covid19

Elaboradas pela SBim em 22/02/2021

No momento, a Kinder não tem previsão para chegada da vacina Covid19. Assim que tivermos notícias de disponibilidade, atualizaremos nosso site e redes sociais.

Para ajudar você saber mais sobre indicação, eficácia, segurança e outros temas relacionados com as vacinas COVID-19, compartilhamos as respostas para as perguntas mais frequentes, elaboradas pela SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) com base em estudos científicos, em Fevereiro/2021. O conteúdo completo está disponível no site da SBIm - https://sbim.org.br/covid-19

1. Quais e como são as vacinas COVID-19 em estudo ou já em utilização?
Várias tecnologias foram acionadas para desenvolver as vacinas que estão em fase de estudo ou já sendo aplicadas ao redor do mundo. Em comum, o fato de que todas têm como objetivo estimular a produção de anticorpos contra a proteína S (spike) que recobre a superfície do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Essa proteína, em formato de espinho, permite ao vírus se ligar às nossas células e causar a doença.

Podemos dividi-las em categorias, de acordo com as plataformas tecnológicas utilizadas. Abaixo, alguns exemplos das mais de 200 vacinas em estudo:

• Vacinas de vírus inteiros (inativados ou atenuados)
Butantan/Sinovac (Coronavac): vírus inativado
• Bharat Biotech (Covaxin): vírus inativado
• Cansino (Convidecia): vírus inativado
• Sinopharm Pequim (BBIBP-CorV): vírus inativado
• Sinopharm Wuhan: vírus inativado

• Vacinas genéticas de RNA mensageiro (mRNA) ou DNA
• Pfizer: mRNA
• Moderna (mRNA-1273): mRNA

• Vacinas baseadas em vetores virais (replicantes ou não replicantes)
Fiocruz/Oxford/AstraZeneca: vetor viral não replicante
• Instituto Gamaleya (Sputnik V): vetor viral não replicante

• Vacinas baseadas em proteína do vírus
• Vacinas de subunidades
• Vacinas de partículas semelhantes ao vírus (VLP)


2. Como funcionam as vacinas de vírus inteiros inativados como a do Butatan/Sinovac (Coronavac)?
As vacinas são feitas a partir do vírus SARS-CoV-2 inativado, ou seja, morto. A inativação é feita com o auxílio de substâncias químicas que destroem o material genético do vírus e, consequentemente, impedem a sua replicação, o que o torna incapaz de causar a doença. Esse processo, no entanto, mantém íntegra a cápsula do vírus, onde está a proteína S, responsável pela ligação e penetração em nossas células.

Uma vez no organismo, o vírus vacinal é percebido como um agente estranho e desencadeia a resposta do sistema imunológico. As primeiras células envolvidas nessa resposta (células apresentadoras de antígeno) “absorvem” o vírus, o destroem em seu interior e levam a proteína S para sua superfície.

Nesse momento, os chamados linfócitos T auxiliares entram em ação. Eles detectam a proteína, encaixam-se a ela e recrutam os linfócitos B, que produzirão os anticorpos específicos contra a proteína S. Os linfócitos B também são ativados pelo próprio vírus vacinal.

Como o sistema imune “aprendeu” a se defender da proteína S, em caso de contato com o vírus, e enquanto a imunidade durar, o organismo será capaz de neutralizar rapidamente o SARS-CoV-2.


3. Como funcionam as vacinas baseadas em vetores virais não replicantes, como a vacina de Fiocruz/Oxford/AstraZeneca?
Para desenvolver este tipo de vacina, os pesquisadores inserem apenas o gene que codifica a produção de proteína S, responsável pela ligação do novo coronavírus com as nossas células, dentro de outro vírus que não causa doença nas pessoas, e este ainda é modificado para que seja incapaz de se replicar dentro do nosso organismo e causar alteração no genoma de nossas células. Esse vírus “carreador” do código genético que instrui a formação da proteína S é, portanto, apenas um vetor da informação genética para que as células humanas passem a fabricar a proteína S.

Após a vacinação e a entrada do vetor vacinal na célula humana, esse gene que codifica a proteína S é transformado em uma molécula chamada RNA mensageiro (mRNA), que contém instruções para a produção de proteínas S, o que ocorre fora do núcleo das nossas células, onde está o nosso genoma. Essas proteínas produzidas se fixam na superfície celular.

A partir desse momento, o sistema imunológico começa a atuar em diferentes “frentes”:
• os chamados linfócitos T auxiliares detectam o agente estranho e recrutam os linfócitos B, que produzirão anticorpos específicos contra a proteína S;
• os linfócitos B entram em contato diretamente com a proteína S da superfície das células “vacinadas” e produzem os anticorpos;
• outro tipo de linfócitos T, chamados citotóxicos (ou assassinos), também são recrutados e destroem diretamente qualquer estrutura que exiba a proteína S.
• as células “vacinadas”, ao morrerem, liberam fragmentos da proteína S que também são identificados pelo nosso sistema imune, desencadeando toda a resposta vacinal.

Enquanto a imunidade durar e a pessoa vacinada tenha contato com o vírus, o organismo será capaz de “lembrar” como fazer para neutralizar rapidamente o SARS-CoV-2.


4. Como funcionam as vacinas baseadas em mRNA (RNA mensageiro), como as vacinas da Pfizer e da Moderna?
A tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) é uma plataforma investigada há muitos anos. Vacinas usando essa plataforma e sendo aplicadas em larga escala pode ser uma novidade, mas a tecnologia já vem sendo estudada há bastante tempo.

Em laboratório, os cientistas desenvolvem o mRNA sintético, que ensinará ao nosso organismo a fabricar a proteína S do SARS-CoV-2, responsável pela ligação do vírus com as nossas células. Por ser muito instável, o mRNA é recoberto por uma capa de lipídios (tipo de gordura) que o protegerá. É essencial deixar claro que a molécula não contém outra informação, não é capaz de realizar qualquer outra tarefa e não penetra no núcleo de nossas células. Então, não consegue causar a COVID-19 ou qualquer alteração em nosso genoma.

Uma vez que a vacina é injetada e capturada pelas células apresentadoras de antígeno, a partir das “instruções” do mRNA são fabricadas as proteínas S do novo coronavírus que, então, são transportadas até a superfície da célula, onde os processos de defesa são desencadeados:
• os chamados linfócitos T auxiliares detectam a proteína estranha e recrutam os linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos;
• os linfócitos B entram em contato com a proteína S da superfície e produzem os anticorpos específicos contra ela, que neutralizarão o novo coronavírus;
• outras células de defesa chamadas linfócitos T citotóxicos (ou assassinos) reconhecem e destroem diretamente qualquer estrutura que exiba a proteína S em sua superfície;
• quando a célula que absorveu o mRNA morre, a proteína S e seus fragmentos liberados podem ser identificados pelo nosso sistema de defesa que também desencadeia todo o processo.


5. O que significa eficácia e como entender esses percentuais de eficácia das vacinas Covid?
A eficácia é a capacidade de uma vacina prevenir determinada doença. Quando falamos que a Coronavac tem 50,4% de eficácia geral, para todas as formas de COVID-19 – leves, moderadas e graves – significa que o risco de ter a doença é 50,4% menor em relação a quem não se vacina. No caso da vacina de Fiocruz/Oxford/AstraZeneca, a eficácia geral é de 70%.

Esses valores são obtidos em grandes estudos clínicos, os quais seguem rigorosas regras estabelecidas nos meios científicos. Os resultados são avaliados por outros cientistas e por órgãos regulatórios e estes verificam se há dados suficientes para sustentar as conclusões. Caso a segurança e a eficácia sejam de fato demonstradas, a vacina poderá ser aprovada.

Ambas as vacinas licenciadas para uso emergencial no Brasil até o momento demonstraram excelente perfil de segurança e atenderam ao parâmetro de eficácia estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


6. O que dura mais: a imunidade causada pela própria COVID-19 ou a produzida pelas vacinas?
A proteção conferida pela doença, chamada “imunidade natural”, pode variar de pessoa para pessoa. Como estamos lidando com um vírus “novo”, ainda não sabemos qual é o tempo de duração. As evidências disponíveis até o momento sugerem que é incomum contrair a doença pela segunda vez. Quando isso acontece, raramente se dá nos 90 dias após a primeira infecção. Já existe estudo demonstrando que a proteção pode durar pelo menos oito meses em grande parte das pessoas que adoeceram.

Também não sabemos por quanto tempo as vacinas prevenirão a COVID-19. Precisamos aguardar o prosseguimento dos estudos e ver como elas vão funcionar no mundo real, a partir da vacinação em massa ao redor do mundo.

O mais importante é lembrar que, ainda que a duração da proteção por vacinas seja menor, elas protegem sem os riscos envolvidos no adoecimento.


7. E quanto à segurança das vacinas COVID-19, o que sabemos?
As vacinas que vêm sendo aprovadas ao redor do mundo demonstraram bom perfil de segurança, com poucos eventos adversos, a maioria leve ou moderado e resolvido em poucos dias. Os mais comuns são dor no local da injeção e febre. Cansaço, dor muscular e dor de cabeça também foram relatados, em menor frequência. Raríssimos casos de anafilaxia (alergia grave) após a vacinação aconteceram, mas todos se recuperaram plenamente. É importante destacar que a anafilaxia pode ser causada por qualquer outra vacina e por outras substâncias, como amendoim e alguns medicamentos.

As vacinas da Fiocruz/Oxford/AstraZeneca e do Instituto Butantan/Sinovac mostraram-se tão seguras quanto outras que usamos há anos. Tanto nos testes como “na prática”, poucos eventos adversos estão sendo registrados e na verdade refletem a resposta imunológica gerada pela vacina.

É preciso ter em mente que eventos inesperados sempre podem ser detectados a partir do momento em que mais pessoas são vacinadas. Por isso, o trabalho de vigilância deve ser rigoroso. De qualquer forma, esse risco é muito menor se comparado aos perigos associados à própria COVID-19.


8. Posso ter reação alérgica grave após a vacina COVID-19?
Reações alérgicas graves (anafilaxia), em que a pessoa precisa ir a um hospital ou receber imediatamente injeção de adrenalina, podem acontecer com qualquer substância, incluindo as vacinas COVID-19. Mas isso é muito raro.

Dessa forma, é importante sempre ser imunizado, com qualquer vacina, em local com estrutura para atendimento de emergência e com profissionais capacitados para rapidamente reconhecer e tratar a reação.


9. O que faço para me proteger até que tenha tomado a vacina?
Para se proteger, siga estas recomendações:

• Proteja o nariz e a boca com máscara. Na hora de colocar ou retirar, não encoste na parte da frente da mesma: use as alças.
• Fique afastado(a) pelo menos um metro e meio de outras pessoas.
• Evite multidões e aglomerações.
• Evite espaços mal ventilados.
• Lave as mãos frequentemente ou use álcool em gel a 70⁰.
• Não saia de casa se tiver algum sintoma respiratório e não visite ninguém que esteja com estes sintomas.
• Proteja os idosos e cuide-se para não levar infecções para suas casas.


10. Eu já tive ou estou com COVID-19. Posso ou devo ser vacinado?
Como a duração da proteção gerada pela própria doença é desconhecida, e por existir a possibilidade de reinfecção, ainda que rara, a vacinação é indicada independentemente de histórico de doença ou infecção pelo SARs-Cov2.

Mas para vacinar é necessário aguardar o completo restabelecimento e no mínimo quatro semanas após o início dos sintomas (ou do primeiro resultado positivo no exame de RT-PCR).


11. Quanto tempo leva para eu ficar imunizado?
O organismo precisa de tempo para fabricar os anticorpos. Estima-se que o potencial completo da vacina seja atingido em cerca de duas semanas após a imunização. E é importante lembrar que para as duas vacinas disponíveis no Brasil são necessárias duas doses.


12. Depois de vacinado, preciso continuar a usar máscara e manter distanciamento de outras pessoas?
Sim. Nenhuma vacina é 100% eficaz e não sabemos se as disponíveis até o momento são capazes de impedir a transmissão do vírus. Além disso, enquanto tivermos doses insuficientes para vacinar grande parte da população, sempre teremos pessoas vulneráveis e que poderão apresentar quadros graves da COVID-19.


13. Posso tomar outra vacina junto com a vacina COVID-19? Se não, qual é o intervalo que é preciso respeitar?
Não pode. A recomendação atual é a de que seja respeitado um intervalo de no mínimo 14 dias (antes e depois) entre a administração da vacina COVID-19 e outras vacinas. Se, por engano, isso acontecer, a secretaria de saúde do município deve ser notificada, pois trata-se de erro de imunização. Os esquemas, tanto da vacina COVID-19 quanto da outra vacina aplicada, não precisam ser reiniciados.

A orientação pode ser alterada caso dados futuros demonstrem mais segurança e eficácia da aplicação com outros intervalos ou simultaneamente.


14. A partir de que idade é possível se vacinar contra a COVID-19? Crianças e bebês podem?
Não há dados sobre segurança e eficácia das duas vacinas disponíveis no Brasil em menores de 18 anos de idade. A vacinação de crianças e bebês só poderá ser cogitada quando tivermos mais informações de estudos realizados especificamente nesta população.


15. Quais são as contraindicações para as vacinas COVID-19?
As vacinas COVID-19 atualmente disponíveis só são contraindicadas para pessoas com histórico de reação alérgica grave (por exemplo, anafilaxia) após dose anterior ou a qualquer componente da fórmula.


16. Posso ser vacinado se estiver com COVID-19 ou se já tive a doença?
Não há evidências, até o momento, de preocupação com a segurança na vacinação de pessoas que tiveram COVID-19 ou têm anticorpos contra SARS-CoV-2 detectáveis. Também é improvável que a vacinação de indivíduos infectados assintomáticos ou no período de incubação cause algum prejuízo.

De todo modo, a vacinação de pessoas com quadro respiratório sugestivo de infecção em atividade deve ser adiada por pelo menos quatro semanas após o início dos sintomas, para evitar qualquer associação temporal entre complicações da COVID, que podem acontecer dentro deste período, mesmo em quem está com sintomas leves. A vacina só deverá ser aplicada após a recuperação clínica total ou, no caso de assintomáticos, quatro semanas a partir da primeira amostra de RT-PCR positiva.


17. Quais precauções devem ser tomadas para a vacinação contra a COVID-19?
• Pessoas com histórico de desmaio após injeções devem ser colocadas em observação por pelo menos 15 minutos após a administração da vacina.
• Pessoas que usam anticoagulantes ou têm algum distúrbio de coagulação devem ter o local da injeção pressionado com algodão seco por mais tempo, para evitar sangramento e formação de hematoma. Compressas geladas antes e após a aplicação também são recomendadas.
• Diante de doenças agudas febris moderadas ou graves, recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro. A orientação, válida para qualquer vacina, é para não haver confusão entre a manifestação da doença febril e uma eventual reação vacinal.


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